domingo, 27 de junho de 2010

Cartas pra Marie - Cont.

' Abri os olhos no meio da noite, ficar com eles fechados sem dormir com aqueles sonhos e pensamentos embaçados me deixou com sede. Por mais que bebesse agua a sede nao cessava. Era sede de mais, sede de terminar de ler todas aquelas inumeras cartas... de terminar minha historia. Na cozinha vazia ouvi os passos da minha pequena Julie. Ela era minha neta, tinha seus graciosos 7 anos e cabelos loiros e olhos verdes como os meus. Os seus olhos eram como um lago profundo que trazia significado pras coisas. Ela tinha uma ruguinha na testa quando veio falar comigo:
- Vó Mari... ta muito tarde.
- É mesmo Julie. Pra cama.
- Mais vovó.. eu to sem sono, e a senhora tambem. - Ela respondeu me olhando de lado como quem quer alguma coisa.
- Porque você ta sem sono ?
- To pensando no que tem dentro do bau que encontrei no terraço... no que te fez chorar baixinho. - ela disse com os olhos baixos , olhando pros pesinhos inquietos.
Percebi entao que minha pequena Julie era mais esperta do que eu imaginava, e que nao adiantaria fingir pois ela perceberia e decifraria todos os meus sentimentos. Entao resolvi esclarecer as coisas de uma vez.
- Vem Julie... a vovó vai lhe explicar tudinho.
Ela me deu sua pequena maozinha e fomos pro meu quarto. Ela me olhava interessada e entao comecei a contar...
- Quando sua vovó era um pouquinho mais velha que você e morava aqui nessa casa, ela conheceu um rapazinho muito simpatico e os dois viraram amigos, muito amigos. Entao eles foram crescendo juntos e ficando cada dia mais amigos. Um dia eu conheci seu avô e numa confusao danada acabei me distanciando desse amigo. Seu avô tinha um trabalho bom na cidade e entao fui morar com ele.
- Mais vovó! Você entao esqueceu seu amigo ?Deixou ele aqui sozinho na roça ? - ela disse com os olhos tristes e indignados.
- Julie... é melhor dormir... ja esta tarde.
- Mais você vai continuar com a historia ?
- Amanha...
- Tudo bem, boa noite vovó.
- Boa noite princesa. te amo.
Ganhei meu beijo de boa noite e tentei durmir denovo, mais fiquei com a vozinha da Julie na cabeça, e com as cartas embaixo do travisseiro. Ela tinha razao, como eu pude esquecer meu amigo aqui na roça e fugir pra longe. Mal ele sabia que eu nunca o tinha esquecido... ''

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lua de mel

'' Era meio de junho, estava muito frio entao eles decidiram adiantar a viajem para realizar o sonho dela : passar a lua de mel num lugar bem frio onde eles nao pudessem sair. Nao existiriam outras palavras pra descrever aqueles dois dias. So ' perfeito ' caberia na situação. Nevou na primeira manha, onde ela abriu os olhos e encontrou seu café da manhã com flores ao lado da cama. O sol banhou a segunda manha onde ela abriu os olhos e encontrou os dele observando ela dormir. Amor... Seria realmente amor do que se tratavam aquelas cenas tradicionais? Todos diriam que sim, um amor de cinema, de filme, de livro antigo com cheiro de guardado. Eu so era uma simples narradora da perfeição, e a duvida surgiu pela inveja qe cresceu da perfeição nao ser real. Nao pra mim, nao agora. Mais sabe o que fazia aqueles dias perfeitos? Nao era a neve, o cafe da manha, o amor. Era simplesmente ele. Era simplesmente o que ela sentia e nutria por ele. Quando eles chegaram ele entrou com o pé direito no quarto de hotel com ela nos braços como ditam as regras. A todo momento estavam juntos, as vezes simplesmente abraçados em silencio curtindo cada um seus pensamentos, guardando na memoria cada detalhe, cada sensação. Sentir o pé do outro, coisas banais... Arrepios, suspiros, poemas... Sonhos, meus sonhos. ''

~ o impossivel faz sonhar, eu te amo.

Jullia Mallibu.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cartas para Marie

'Quando me dei conta estava com as cartas todas na mao, algumas amassadas, outras ainda fechadas. Ficava olhando o nome do remetende sem entender o que significaria aquilo tudo, depois de tanto tempo. Que sentimentos aquelas linhas traziam atona... Coisas tao antigas de um passado tao distante, que hoje so existe na memoria de meu coração cansado.
Depois de estar com o tesouro em maos era hora de usufruir dele, ja prevendo toda dor que sentiria. Comecei pela mais antiga que trazia a caligrafia delicada e meio apagada pelo tempo, o papel ja meio gasto, parecia ter sido lido vezes e vezes sem fim e sem coragem de entregar foi ficando guardado ate se desgastar...
'' Querida...
Minha querida Marie, seu nome me soa tao doce quanto mel, teus olhos tao verdes quanto a esperança que cresce em meu coração. Queria tanto um dia poder, se um dia eu merecer, tocar suas maos e sentir como sao macias e delicadas. Nao espero no entando tocar teus labios vermelhos e indecifraveis, pois nao sou digno pra tanto. Nem dirceu haveria de ter tanto amor por sua marilia como eu tenho por você minha Marie, se me permite esse pronome.
Ambições tenho mil, mais coragem para realiza-las é que me falta. Entao nessas pequenas cartas, pequenas palavras eu lhe entrego meu coração ja tao despedaçado pelo tempo em que so suas maos doces e pintadas de vermelho seriam capazes de reconstituir.
Seu, pra sempre seu ... Luiz . ''
As lagrimas escorriam pelo meu rosto ja cansado, e na frente do espelho eu tentava ver os olhos verdes que ele descrevia, a boca vermelha, as maos delicadas e eu descobri que ele desenhava uma deusa em minhas minimas qualidades fisicas. Meu coração acelerou e parou a cada ponto, a cada virgula, a cada palavra. Um amor tao sincero e entao eu me recompus pra continuar na jornada. A proxima que escolhi era igualmente antiga, tinha decidido ler todas em ordem , se pudesse realmente encontrar ordem em todos aqueles sentimentos. Separei pelas que aparentavam ser as mais antigas e fui entao em busca da segunda igualmente amassada, amarela e igualmente preenchida com suas palavras doces ...
'' Marie Elisabeth,
Seu nome me soa como uma canção, queria que repetisse seu nome com seu timbre de voz afinado, soaria como bellas lullaby. Hoje tomei a liberdade te observar de longe, ver seus cabelos loiros tao macios, cor de luz, me trouxe o sol e me aqueceu no frio em que amanhecia o dia. Seus cabelos sao delicadamente exatos pra todo seu rosto, sua levesa, seu andar. Dancei em meus sonhos e pensamentos tao atrevidos que nao direi a você. Meu amor cresce a cada dia, a cada sorriso, a cada brilho do seu olhar. Você é delicada como um anjo feita na medida para ninguem, pois ninguem estaria ao seu alcance, minha doce Marie. Te espero amanha, pra te ver ao longe, sonhar meus sonhos solitarios.
seu, Luiz . ''
Como naquele instante eu queria voltar ao tempo e dizer que meu coração era sim na medida exata pra todo seu amor, que eu sempre fui feita pra te merecer. Como eu queria mostrar de um jeito impossivel como meu sorriso so era feliz nos dias em que eu o via ao longe e lhe explicar que seus sonhos nunca foram solitarios pois junto com eles existiam os meus.
Aquela noite fui dormir no passado das lembranças com aquelas duas primeiras cartas do meu tesouro de varias. Revivendo tudo aquilo ao mesmo tempo que sorria com todos os galanteios me doia ver o quanto ele sofria em sua solidao tao silenciosa, sempre se colocando abaixo de mim , como se eu fosse possuidora de um dom qualquer que merece mais atençao que ele, que era meu motivo pra ser anjo, pra sorrir.'


Carolina M.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ela

''Ela estava la, mais uma vez perfeita... minto, ela nao era perfeita. Nunca foi perfeita, pois que graça tem a perfeiçao se era pelos defeitos dela que a cada dia eu estava mais e mais apaixonado.
Estava com um copo de coca bem gelada que so de olhar me refrescou. Estava com aquele ar timido figindo nao ser timido.. encantando o lugar, na solidao quando fingia nao estar sozinha. Cantarolava alguma coisa e ao menor abrir de labios seus dentes reluziam um rosa que me enchia de vontade. Mais e a coragem de ir lá e estragar o meu disfarce perfeito ?Pois bem. Estava eu desfarçado de adulto consciente, com oculos escuros pra esconder o meu olhar fixado nela. Era uma idiotisse tudo aquilo, mais uma prova de que de adulto eu nao tinha exatamente nada, mais o que eu podia fazer se era um adulto o que ela buscava? Eu queria conquista-la, mais como conquistar a romantica sem os olhares ?
Alguns dias passaram, a nossa amizade continuava estatica. Ela buscava meus olhos com ansiedade e eu nao sabia se estava transparecendo a coisa certa, eu tinha tanto medo quanto qualquer outro. Parece que as pessoas nunca entendem o medo ate senti-lo, mais eu sabia bem o tamanho do meu medo. Medo do espanto dela quando descobrisse quem eu realmente era : apenas mais um encantado com seus belos olhos adultos de mais pra combinar com seu sorriso perfeito e infantil dos seus 16 anos rosa.
Algumas cervejas e algo mais e quando vi estava ao lado dela pergutando sobre sua vida sem saber o que ela respondia, me mostrando interessado em assuntos que realmente nao me interessavam, eu queria sim saber tudo sobre sua vida, mais eu queria desvendar seus segredos nos seus atos e nao ter respostas prontas como as que ela dá a qualquer amigo comum. Eu me aproximava e via bem o que ela queria e tentava disfarçar... porque nos dois agiamos assim? como estranhos segurando uma vontade, sempre esperando a atitude partir do outro. Ela nao faria nada, eu sabia seus principios.
Mais alguns meses, eu pensava que esqueceria aquele olhar inquietante, ate que mais uma vez ela estava lá, parada na solidao de sempre. E quer saber, eu me apaixonei. Nao sei o momento exato mais eu sei que estava apaixonado. Ao menor toque a minha maior felicidade. Se eu tivesse seus braços entrelaçados nos meus eu nao precisaria de mais nada. Acho que so seus labios seriam mais macios que seus braços. Mesmo se eu nao tivesse seu doce, nao precisaria de mais nada se pudesse te-la ao meu lado sempre, todos os dias. Nao sei bem como ela foi parar na minha moto, mais depois que estava la eu poderia dar a volta ao mundo so pra nao ve-la ir embora. Ela embarcava em todas as minhas precipitações e eu me controlava como um louco pra nao beija-la, onde estava meu juizo? Que tipo de adulto era eu que beijaria uma menina! E ela me mostrava a todo instante que era muito mais mulher do que um dia eu cheguei a ser homem.
Um dia ela me mostrou em fim que eu sempre estive errado e entao eu me entreguei a tentação de seus carinhos. Nunca me vi tao adulto e responsavel como me via naquele instante que durou nosso primeiro beijo. Ela adicionou a felicidade a minha vida sempre tao vazia. E eu que a via sempre tao sozinha pude perceber que era eu que ali faltava. Me apaixonei pelo primeira vez que a vi, ali, tao imperfeita. ''


Carolina Machado.