' Abri os olhos no meio da noite, ficar com eles fechados sem dormir com aqueles sonhos e pensamentos embaçados me deixou com sede. Por mais que bebesse agua a sede nao cessava. Era sede de mais, sede de terminar de ler todas aquelas inumeras cartas... de terminar minha historia. Na cozinha vazia ouvi os passos da minha pequena Julie. Ela era minha neta, tinha seus graciosos 7 anos e cabelos loiros e olhos verdes como os meus. Os seus olhos eram como um lago profundo que trazia significado pras coisas. Ela tinha uma ruguinha na testa quando veio falar comigo:
- Vó Mari... ta muito tarde.
- É mesmo Julie. Pra cama.
- Mais vovó.. eu to sem sono, e a senhora tambem. - Ela respondeu me olhando de lado como quem quer alguma coisa.
- Porque você ta sem sono ?
- To pensando no que tem dentro do bau que encontrei no terraço... no que te fez chorar baixinho. - ela disse com os olhos baixos , olhando pros pesinhos inquietos.
Percebi entao que minha pequena Julie era mais esperta do que eu imaginava, e que nao adiantaria fingir pois ela perceberia e decifraria todos os meus sentimentos. Entao resolvi esclarecer as coisas de uma vez.
- Vem Julie... a vovó vai lhe explicar tudinho.
Ela me deu sua pequena maozinha e fomos pro meu quarto. Ela me olhava interessada e entao comecei a contar...
- Quando sua vovó era um pouquinho mais velha que você e morava aqui nessa casa, ela conheceu um rapazinho muito simpatico e os dois viraram amigos, muito amigos. Entao eles foram crescendo juntos e ficando cada dia mais amigos. Um dia eu conheci seu avô e numa confusao danada acabei me distanciando desse amigo. Seu avô tinha um trabalho bom na cidade e entao fui morar com ele.
- Mais vovó! Você entao esqueceu seu amigo ?Deixou ele aqui sozinho na roça ? - ela disse com os olhos tristes e indignados.
- Julie... é melhor dormir... ja esta tarde.
- Mais você vai continuar com a historia ?
- Amanha...
- Tudo bem, boa noite vovó.
- Boa noite princesa. te amo.
Ganhei meu beijo de boa noite e tentei durmir denovo, mais fiquei com a vozinha da Julie na cabeça, e com as cartas embaixo do travisseiro. Ela tinha razao, como eu pude esquecer meu amigo aqui na roça e fugir pra longe. Mal ele sabia que eu nunca o tinha esquecido... ''
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