terça-feira, 26 de abril de 2011

No escuro


'' Me encontro no escuro.
Visao turva, negra.
Busco com aflição suas mãos, para que elas possam me guiar no meio desse sonho escuro.
Nao enxergo meus pés, nao sei por onde ando, por onde começo.
Procuro, procuro...
Nenhuma linha, nenhuma seta que me diga a direção.
Trombo com o corpo quente, contraste do frio no escuro.
Seu corpo me abraça, me acalma.
Me manda crescer e aprender a andar sozinha, mesmo que no escuro.
Me manda abrir os olhos para enxergar a luz que me guiará.
Sua voz invade meus timpanos e diz : nao estarei aqui pra sempre.
Entao me solto perturbada com a frase. Volto para o escuro frio e sem direção.
Meu caminho sem você.
Mais que surpresa, no meio do odio do abandono eu abro os olhos, nao estou mais sozinha no escuro.
Ele agora é claro e nitido. Me diz quao boba eu fui de estar perdida.
Me encontro, me acho. Nao tem caminho, direção, seta nem indicação.
O coração pulsante me diz os passos a seguir, olhos aberto, atentos.
Um novo calor a procurar. A encontrar. ''

Jullia Mallibu.

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