''Aos 17 anos eu estava saindo daquela lanchonete as 23:00, na chuva. Era boa aquela sensação, estava quente apesar de cairem pingos insistentes em meu rosto, molhando meus cabelos embaraçados. Já quis ler o pensamento das pessoas? Na verdade, nao era esse o tipo de poder que eu gostaria. Pensar é muito rapido e muito falso. Já prestou atenção no tanto de coisa que pensamos?! Enlouqueceria qualquer um ouvir tudo isso, como se nao bastasse ouvir a si mesmo. Pensamos em todos os instantes, em bobagens. Coisas que vem e vão. Pensamentos nem sempre sao verdadeiros, sao simples suposiçoes de momento, coisas que nos vem a cabeça instantaneamente. De mentiras já me basta o que ouço da boca, imagina ouvir dos pensamentos. Nao, eu nao queria ter aquele super poder. Mais a um outro que me encantaria, ouvir os sentimentos. Sentimentos sim seriam sinceros. Os pensamentos dos outros me magoariam, mais os sentimentos nao. Talvez por serem mais sinceros e incontrolaveis. Eu tinha em minha cabeça mil pensamentos falsos e um unico sentimento verdadeiro naquele momento: a vontade de ser especial.
Andava lendo muitos romances de um escritor bom, mais obvio e cliche de mais. Mais eu gostava. Sempre alguem perfeito encontra alguem imperfeito e o transforma na perfeição, com pitadas de drama e alguma morte pra me fazer chorar. Eu sempre chorava. Aquele alguem perfeito era especial, por ser diferente. Por ser correto e nao sair por ai beijando, bebendo, sendo adolescente. Em contra partida o que eu desejava para esse meu momento de adolescente era justamente ser igual. Beijar muito, dançar muito e beber um pouco. Queria ter historias pra contar como qualquer adolescente normal, ou seja, como todo mundo, nem um pouco diferente, nem um pouco especial. Os livros estavam me enlouquecendo nessa coisa de ter que viver ou ter que ser especial e o que eu realmente queria? Eu nao sei. So sei que naquele dia, naquela chuva, quando encontrei ele na lanchonete e vi que nao trocamos nenhum olhar eu senti que nao dava. Eu quis ser especial pra ele. Quis ter sido a perfeição que trasfomaria ele imperfeito em perfeito. Eu quis ser a princesa do castelo dele. Mais nossa historia, caro leitor, foi como mil outras que eu tive. Uns beijos em uma festa e so. No final das contas acabamos nos encontrando outras vezes mais depois ele fingia que nao me via, e depois eu passei a fingir que nao o via. E assim acabou. Hoje eu olhava pra ele e sentia que ele sentia minha presença ali e nada mais. Nao queria descobrir os pensamentos dele, talvez lembraças dos amassos e depois pensamentos de rejeição. Mais eu queria saber seus sentimentos, de sabe se lá o que.
Pra ele eu tinha certeza que nao poderia ser mais especial, porque eu ja tinha sido igual em nosso relacionamento e confesso que ja o tinha decepcionado me mostrando facil de mais, leve de mais. No começo ele me via como princesa, mais eu nunca fui de segurar minha vontade, sempre quando quis um beijo eu corria atras pra te-lo. Nunca fui de esperar e enrolar e fazer doce pra eles pensarem isso e aquilo. As princesas perfeitas me incomodavam, eu nao queria ser igual a elas que ficam por ai loucas pra beijar e se entregar mais ficam fazendo charme pra manter uma reputação. Conseguem claro. Mais eu nao conseguia me enchergar segurando a vontade de me entregar, me negando com um cara bem na minha frente so pra ele pensar que eu era diferente. Eu nao era diferente. Nao puta, mais nao diferente. Nao princesa. Isso na verdade nunca tinha me incomodado, mais esses romances que eu andava lendo... as princesas nao seguravam vontade alguma. Elas realmente nao tinham vontade! Entao eu nunca seria especial, porque o que eu mais tinha no meu corpo era vontade, era hormonios. Mais eu queria ser diferente e especial pra alguem. E eu nao sabia como fazer isso. Por isso sai andando da lanchonete na chuva assim que o vi e me decepcionei. E sai andando querendo sair andando de todos os outros relacionamentos gostosos mais passageiros. Sai andando querendo que ele fosse um principe e eu a princesa e que ele me visse como me viu no dia em que quis me conhecer, justamente porque aparentemente eu era dificil. Porem, aparentemente. Sabe aquela sensação de que se fosse hoje seria diferente. Nao sei minha reação, se seria como as princesas ou como a adolescente que sempre fui. So sei que queria que ele me amasse como os principes dos livros. E fizesse tudo pra me ter, so pelo prazer de ver os esforços dele e me sentir especial. Porque a bem da verdade leitor, eu nao o amo. Eu so nao me sinto especial. ''
Carolina Machado .
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